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Arquitetos elogiam decisão de cancelar construção do píer em Y

Companhia Docas afirma que projeto não ficaria pronto até 2016

Contrato de R$ 223,2 milhões será revogado no fim deste mês

LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

Desproporção. A fotomontagem mostra como ficaria a paisagem com a instalação do píer em Y no Cais do Porto: o prédio do Museu do Amanhã é ofuscado pelo transatlântico Reprodução

Arquitetos comemoraram nesta quarta-feira a decisão da Companhia Docas, que desistiu de levar adiante o projeto para construir um novo cais com formato em Y nas imediações do Píer Mauá. A proposta era criticada, entre outros pontos, por não se integrar à paisagem da região, que passa por processo de revitalização. Mas eles reclamaram do fato de Docas não se esforçar para encontrar uma alternativa a curto prazo para a área, a fim de evitar que os recursos, incluídos no PAC 2, sejam remanejados. A decisão de Docas foi antecipada pela coluna Gente Boa, do GLOBO, e confirmada nesta quarta-feira pelo presidente da empresa, Jorge Luiz de Mello.

Segundo ele, nenhuma obra irá adiante antes das Olimpíadas de 2016. O contrato de R$ 223,2 milhões mantido com o Consórcio Rio Y Mar para a execução do projeto será revogado no fim deste mês, depois de já terem sido gastos R$ 10 milhões no detalhamento do píer e na montagem de canteiros.

— Primeiro, pensamos o projeto para a Copa do Mundo, mas não era possível. Agora, não há mais tempo nem para as Olimpíadas. Com isso, o projeto também sairá do PAC 2. Vamos precisar encontrar outra fonte de recursos. Além disso, caso a opção seja por um empreendimento num formato que não seja em Y, teremos que recomeçar do zero, incluindo a realização de novas audiências públicas — disse Jorge Luiz Mello.

Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), Sidney Menezes, o arquivamento do projeto significou uma vitória dos interesses paisagísticos da cidade. Agora, segundo ele, é hora de pensar no futuro.

— Para mim, Docas só pensou na questão operacional e não da integração do Porto ao resto da cidade. Mas não podemos esperar 2016. A solução tem que ser debatida desde já, para que realmente tenhamos um equipamento qualificado para a cidade, quando o projeto sair do papel — disse Sidney.

O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), Pedro da Luz, tem uma avaliação semelhante:

— Precisamos de um projeto bem definido, que seja desenvolvido com toda a transparência. Mas, para isso, a sociedade precisa opinar. Se ainda existem recursos assegurados, esse debate tem que começar de imediato. Acredito que ainda haja tempo de desenvolver um projeto para os Jogos Olímpicos — afirmou.

O prefeito Eduardo Paes não quis se manifestar sobre a decisão de Docas. Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Alfredo Lopes, também defende que se encontre um solução imediata:

— Existe uma tendência de o Rio receber cada vez mais navios de turismo. Os visitantes não podem continuar tanto tempo desembarcando num espaço degradado.

Dirigente diz que suspensão atendeu a pedido do COI

O presidente de Docas, Jorge Mello, argumentou que a mudança na localização elevaria o custo das obras em R$ 130 milhões, porque exigiria mais investimentos, principalmente em dragagem. Também seriam necessárias novas licenças ambientais. Tudo isso alteraria o cronograma, e haveria ainda o risco de as obras não terminarem a tempo para as Olimpíadas. De acordo com Mello, o caso teria sido discutido com o Comitê Olímpico Internacional (COI). Ele afirmou que a entidade tinha interesse no projeto já que, no caderno de encargos da candidatura do Brasil para os Jogos de 2016, havia a previsão de que até 10 mil pessoas poderiam se hospedar em seis ou sete navios:

— O COI estava preocupado com o deslocamento de milhares de pessoas em meio aos canteiros se as obras não terminassem a tempo. E sugeriu que o projeto ficasse para depois do evento. A Olimpíada era uma oportunidade em forma de cavalo selado que a gente deixou escapar — disse Mello.

O COI não se manifestou. Já o Comitê Organizador Rio 2016 negou que o píer em Y tenha sido discutido com o COI. O Comitê lembrou que, com a expansão da oferta de quartos de hotéis na cidade, a demanda por navios caiu. A expectativa agora é alugar apenas um transatlântico.

Impacto visual foi alvo de críticas

O píer em Y, planejado entre os Armazéns 2 e 3, foi alvo de críticas devido ao impacto visual que poderia causar ao concentrar num mesmo ponto transatlânticos com até 60 metros de altura nas proximidades de bens tombados, como o Mosteiro de São Bento, ou de novos empreendimentos projetados dentro do pacote de intervenções para a revitalização da Zona Portuária, como o Museu de Arte do Rio (MAR), já inaugurado, e o Museu do Amanhã, em construção. Em maio de 2013, chegou-se a discutir a alternativa de se deslocar o novo terminal para as proximidades dos Armazéns 6 e 7, mantendo o formato em Y. Mas a proposta, criticada por especialistas, também não foi adiante. Os problemas do projeto, porém, são antigos. Começaram na licitação do empreendimento, em 2010. A concorrência foi adiada por mais de um ano devido a suspeitas de superfaturamento suscitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Crise da água: SP questiona estudo sobre Paraíba do Sul

Governo paulista questiona estudo do Inea sobre transposição do Paraíba do Sul

Louise Rodrigues

O estudo divulgado nesta terça-feira (25) pela Secretaria de Ambiente do Rio de Janeiro e pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) não agradou o governo de São Paulo. O parecer dos técnicos do Instituto apontou a criticidade da bacia do Rio Guandu e a alta dependência da população fluminense da bacia do Rio Paraíba do Sul. Procurado, o governo do estado de São Paulo, que ainda não tinha conhecimento sobre o estudo do Inea, questionou o posicionamento do secretário de Ambiente do Rio de Janeiro, Índio Costa, alegando que o Instituto não teve acesso ao projeto da Sabesp. Após tomar conhecimento do estudo, o governo paulista contestou trechos da nota técnica e reiterou a crítica à nota técnica do Inea.

Nesta terça, o secretário Índio da Costa afirmou que aguarda que o projeto da Sabesp seja enviado para avaliação dos técnicos do Inea e da Secretaria do Ambiente. Contudo, o Instituto também realizou um estudo paralelo apontando os riscos da transposição da bacia do Rio Paraíba do Sul. Ignorando a iniciativa do Inea, o governo de São Paulo apenas alegou que o Instituto não pode se pronunciar sobre os impactos que podem alcançar o Rio de Janeiro ou sobre o não cumprimento do pacto federativo em vigor, já que não teve acesso ao projeto da Sabesp.

A nota técnica apresentada pelo Inea mostra que a bacia do Paraíba do Sul é reserva estratégica para o atendimento atual e das próximas gerações, na própria região hidrográfica e principalmente na bacia do rio Guandu e Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ainda segundo o Inea, a transposição pode afetar 12,3 milhões de pessoas, ou seja, 75% da população total do Estado, além de indústrias e atividades agrícolas de grande porte.

Outro ponto criticado pelo Inea é o Plano Diretor de Aproveitamento Hídrico para a Macrometrópole Paulista. Segundo a nota técnica, os estudos não apontam o Paraíba do Sul como o arranjo mais favorável. O Instituto alegou que Plano de São Paulo propõe dez possibilidades de arranjos de aumento da disponibilidade hídrica, envolvendo cinco bacias hidrográficas distintas, sendo que a bacia do Paraíba do Sul consta em cinco delas.

O secretário Índio da Costa afirmou que “o Estado do Rio de Janeiro não pode aceitar nenhuma decisão que coloque em risco sua segurança hídrica”. Índio também frisou que qualquer iniciativa tem que ser avaliada tecnicamente para não prejudicar o Estado do Rio e sua população.

Em meio ao fogo cruzado, a Agência Nacional de Águas (ANA) disse que não irá se pronunciar enquanto o governo do Rio de Janeiro não se manifestar oficialmente. A ANA disse que ainda não foi registrado um pedido de estudo sobre os impactos da transposição da bacia do Rio Paraíba do Sul. Assim, a Agência aguarda o parecer de técnicos do Rio de Janeiro. Apesar da nota divulgada pelo Inea, o governo ainda espera o projeto técnico da Sabesp, que será submetido a avaliação. A ANA esclareceu também que irá atuar como conciliadora após a manifestação oficial dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

Impactos da transposição

Segundo o estudo realizado pelo Inea, “há alta criticidade na bacia do rio Guandu, com um nível de comprometimento da disponibilidade hídrica atual de 73,6%. Em longo prazo a situação pode se tornar ainda mais crítica. Os resultados mostram que o comprometimento em 2030 pode variar de 89,2% no cenário mais otimista a 94,7%. Por este motivo, a nota técnica reafirma a necessidade de manter a atual vazão e garantir as regras operacionais visando à segurança hídrica do Estado do Rio de Janeiro e evitando impactos ambientais”.

Ainda de acordo com o Inea, “mesmo que a intervenção ocorra no território de São Paulo, os impactos podem alcançar o Rio de Janeiro e agravar o não cumprimento do pacto federativo em vigor”.

Prédios históricos

Em parceria com o Iphan, a Faetec inaugura hoje, em Vassouras, RI, a primeira escola pública voltada para o ensino técnico de restauro e conservação de prédios históricos. Com investimentos de R$ 3 milhões, a unidade vai formar até 280 profissionais por ano.

IX Seminário Internacional: Habitação

A Escola da Cidade promove, entre 31 de Março e 04 de Abril de 2014, o IX Seminário Internacional de Projeto Urbano, que discutirá as questões da habitação nos grandes centros urbanos.

Apresentação

O Brasil tem hoje uma população urbana de mais de 85%, tendo passado por um crescimento acelerado nas últimas décadas. Em 1940 30% dos brasileiros morava em cidade, já na década de 70 mais da metade (55,9%) da população brasileira era urbana. A cidade de São Paulo, a maior entre os 39 municípios da região metropolitana, tem uma população de mais de 11. 800.000 habitantes que ocupam uma área de 1.521 km2 (IBGE Cidades).  De acordo com dados da Secretaria de Habitação, São Paulo possui 1.565 favelas, 1.152 loteamentos irregulares e 1.885 cortiços. Segundo o Plano Municipal de Habitação, o déficit por novas moradias é de 227 mil habitações, sendo 133 mil em função da substituição de moradias em áreas precárias e 94 mil por incremento da população e coabitação indesejada (dados de 2009). A grande maioria das favelas e loteamentos clandestinos, como se sabe, ocupa áreas periféricas do município, com carência de oferta de trabalho e precária infraestrutura urbana.

Segundo o Plano Municipal de Habitação, na região do centro (sub da Sé e Móoca), região onde se insere a área de do Estúdio Vertical desse semestre, existem 11.086 domicílios em cortiços e 10.724 famílias em favelas. O centro de São Paulo é uma área beneficiada por equipamentos públicos, infraestrutura, a mais densa rede de transporte público da cidade, somado a espaços públicos de qualidade e concentração de oferta de emprego. No entanto, uma área que deixou progressivamente de ser o foco de investimentos imobiliários, tendo passado nas últimas décadas por um movimento de migração de estabelecimentos de serviços de alto padrão e alguns setores do comércio, além de ter deixado de ser um lugar especificamente desejado para moradia das classes alta e média-alta. Pensar a moradia nessas áreas, especialmente no adensamento habitacional para baixa renda é uma questão não apenas na pauta das gestões públicas, mas dos movimentos de moradia e da sociedade de forma geral. A grande concentração de ZEIS (zona especial de interesse social) na região, lotes desocupados ou subutilizados, bem como uma grande quantidade de edifícios vazios na região central são questões importantes nessa abordagem.

O 9o. Seminário Internacional da Escola da Cidade se desenvolverá a partir de um conjunto de palestras e debates sobre o tema. Pretende discutir de forma aprofundada a construção da habitação como uma questão Inter setorial, pensada na articulação da construção e transformação da cidade, relacionando-a com os projetos de infraestrutura, espaços e equipamentos públicos, incluindo discussões sobre a gestão urbana e a participação dos moradores nos projetos, de maior ou menos escala, procurando contribuir para a formação uma nova cultura nos processo de planejamento e projetos urbanos.

Os palestrantes são convidados a participar também das bancas de avaliação da primeira fase de projeto desenvolvidos pelos alunos para o Estúdio Vertical. Cada convidado deverá participar de uma banca (que inclui a apresentação de projetos de 4 equipes) no período da manhã.

Palestrantes:

Palestrante Institução País
Anacláudia Rossbach Economista consultora do Banco Mundial Brasil
Beatrice Mariolle Arquiteta (Brès+Mariolle) e professora Paris-Belleville França
Elisabete França Arquiteta professora da FAAP e USP Cidades Brasil
Frédéric Druot Arquiteto (Frédéric Drout Achitecture) França
José Floriano Neto Secretário da SEHAB da PMSP Brasil
José Maria de Lapuerta Arquiteto (DL+A) professor Universidad Politécnica de Madrid Espanha
Márcio Sattin Filósofo professor Escola da Cidade Brasil
Nabil Bonduki Arquiteto vereador e professor FAU-USP Brasil
Paulo Mendes da Rocha Arquiteto Brasil
Pedro Marques de Souza Arquiteto (TMA) Portugal
Raul Juste Lores Correspondente da Folha de São Paulo em Washington Brasil
Sérgio Fernandez Arquiteto (Atelier 15) professor FAU Escola do Porto Portugal
Tales Ab’Saber Psicanalista ensaísta e professor da UNIFESP Brasil

Participantes:
Alunos da Escola da Cidade integrantes do Estúdio Vertical (3º, 4º e 5º anos)

Coordenação:
Fernanda Barbara
Luis Mauro Freire

Inscrições

Inscrições com Daniel no e-mail: daniel@escoladacidade.edu.br

Programação

Segunda / 31 de março
9:00    Apresentação para professores convidados
10:00    Abertura com Paulo Mendes da Rocha
13:00    Almoço
14:30    Palestra: Raul Juste Lores
15:30    Palestra: Frédéric Druot
16:30    Debate: Palestrantes + Beatrice Mariolle
17:30    Café
18:00    Filme: O Bandido da Luz Vermelha
20:00    Debate: Tales Ab’Saber

 

Terça / 01 de abril
9:30    Bancas Estúdio Vertical
13:00    Almoço
14:30    Palestra: Sérgio Fernandes
15:30    Palestra: José Floriano
16:30    Debate: Palestrantes + Pedro de Souza

 

Quarta / 02 de abril
9:30    Bancas Estúdio Vertical
13:00    Almoço
14:30    Palestra: Beatrice Mariolle
15:30    Palestra: Elisabete França
16:30    Debate: Palestrantes + Frédéric Druot
17:30    Café
18:00    Filme: à definir
20:00    Debate: Márcio Sattin

 

Quinta / 03 de abril
9:30    Bancas Estúdio Vertical
13:00    Almoço
14:30    Palestra: Pedro Marques de Souza
15:30    Palestra: Anacláudia Rossbach
16:30    Debate: Palestrantes + Sérgio Fernandes

 

Sexta / 04 de abril
9:30    Visita para professores convidados: SESC Pompéia e MuBE
13:00    Almoço
14:30    Palestra: Nabil Bonduki
15:30    Palestra: José Maria de Lapuerta
16:30    Debate: Palestrantes + Raul Juste Lores
17:30    Encerramento
18:00    Festa

 

Seminário Internacional

Shigeru Ban recebe o Prêmio Pritzker 2014

 

“Shigeru Ban é um arquiteto cujo trabalho incansável inspira otimismo. Onde outros podem ver desafios insuperáveis, Ban vê um convite à ação. Onde outros podem tomar um caminho seguro, ele vê a oportunidade de inovar. Além disso, ele é um professor comprometido que não é apenas um modelo para a geração mais jovem, mas também uma fonte de inspiração ” – . Júri do Pritzker 2014

Citando sua abordagem inovadora para estruturas e o uso de materiais, bem como seu sensível compromisso com o projeto, o Júri do Pritzker escolheu o arquiteto japonês Shigeru Ban como o vencedor do Prêmio Pritzker de 2014. Ban é o trigésimo oitavo ganhador do Prêmio Pritzker e o sétimo arquiteto japonês galardonado.

Ban, que estudou na Sci -Arc e Cooper Union , primeiramente foi reconhecido internacionalmente por seu uso experimental e criativo de materiais não convencionais ( particularmente o uso de papel ). E recentemente um especial reconhecimento por desenvolver projetos de alta qualidade e de baixo custo, para os que mais precisam – refugiados e vítimas de desastres naturais.

De acordo com o júri, o Prêmio Pritzker reconhece aos arquitetos que conseguem demostrar ” excelência na obra construída e que fazem uma contribuição significativa e consistente para a humanidade. Shigeru Ban, o laureado de 2014, reflete esse espírito do prêmio ao máximo ” .

Citação do Júri 2014:

Desde a sua criação 35 anos atrás, o objetivo do Prêmio Pritzker de Arquitetura é reconhecer arquitetos que vivem para a excelência no trabalho construído e que fazem uma contribuição significativa e consistente para a humanidade.

Shigeru Ban, laureado de 2014, reflete esse espírito do prêmio ao máximo. Ele é um arquiteto de destaque que, por vinte anos, tem respondido com criatividade e desenho de alta qualidade em situações extremas causadas por desastres naturais devastadores. Seus edifícios servem de abrigo, centros comunitários e locais espirituais para aqueles que sofreram enormes perdas e tem sido vitimas de tamanha destruição. Quando a tragédia atinge, Ban está lá, muitas vezes desde o início, como em Ruanda, Turquia, Índia, China, Itália e Haiti, e seu país natal, o Japão, entre outros.

Seu enfoque criativo e inovador, especialmente relacionado com materiais e estruturas, e não apenas boas intenções de construção, estão presentes em todas as suas obras. Através de excelentes projetos, em resposta a desafios emergenciais, Shigeru Ban ampliou o papel do oficio. Ele conquistou um espaço para arquitetos participarem do diálogo com os governos, órgãos públicos, filantropos e comunidades afetadas. Ao criar uma arquitetura de qualidade para atender as necessidades da sociedade, seu senso de responsabilidade e de ação positiva associada à sua original perspectiva diante destes desafios humanitários, faz do vencedor deste ano um profissional exemplar.

O premiado possui uma extensa carreira profissional. Desde a criação do seu primeiro escritório em Tóquio em 1985 e posteriormente também em Nova York e Paris, tem realizado projetos que vão desde a habitação mínima, casas experimentais e habitações coletivas; de museus, salas de exposições, salas de conferências e concertos, e edifícios de escritórios.

Um fundamento que unifica grande parte da sua obra construída é a sua abordagem experimental. Ele ampliou com o seu trabalho o campo da arquitetura, em relação não só aos problemas e os desafios que abrange, mas também em relação as ferramentas e técnicas para lidar com eles. Ban é capaz de ver nos componentes padrões e materiais comuns, tais como: tubos de papel , materiais de embalagem e containers , usando-os de novas maneiras. Ele é especialmente conhecido por suas inovações estruturais e a utilização criativa de materiais não convencionais como o bambu, tecido, papel, e materiais compostos de fibra de papel reciclado e plástico.

Na Naked House, foi capaz de questionar a noção tradicional de dormitórios e, consequentemente, da vida doméstica . Simultaneamente, criou uma atmosfera translúcida, quase mágica. Tudo isso foi feito com meios modestos: paredes externas revestidas em plástico corrugado claro e divisões de acrílico branco tensionado internamente através de uma estrutura de madeira. Esta composição em camadas sofisticadas de materiais comuns utilizados de uma forma natural e eficiente proporciona conforto, eficiente desempenho ambiental e ao mesmo tempo uma sensual qualidade da luz.

Ban construiu seu próprio estúdio, (em cima de um terraço no Centro Pompidou em Paris durante os seis anos que trabalhou no projeto do museu Metz), com tubos de papelão e uma membrana que cobre o teto arqueado. Ele também usou containers como elementos pré-fabricados na construção do museu. Sua obra é uma prova de sua capacidade de agregar valor através do desenho. Outras novas ideias conceituais e estruturais foram desenvolvidas e podem ser vistos no PC Pile House, House of Double Roof, FurnitureHouse, Wall-less House, e Nine-Square Grid House.

Outro tema recorrente na sua obra é a continuidade espacial entre os espaços interiores e exteriores. No Curtain Wall House , utilizou cortinas móveis ,similares as tendas de acampamento, vinculando facilmente interior e exterior ,proporcionando ao mesmo tempo privacidade quando necessária. O s 14 andares do edifício Nicolas G. Hayek Center, em Tóquio, estão cobertos com persianas de vidro nas fachadas frontais e posteriores que podem ser abertas em sua totalidade.

Para Shigeru Ban, a sustentabilidade não é um conceito para acrescentar após os fatos, mas sim, é um fator intrínseco à arquitetura. Suas obras se esforçam para encontrar produtos e sistemas adequados que estão em harmonia com o meio ambiente e o contexto específico, o uso de materiais renováveis e produzidos localmente, sempre que possível. Apenas um exemplo é o seu edifício de escritórios Tamedia recém-inaugurado em Zurique, que usa um sistema estrutural de madeira trançada, completamente desprovida de peças metálicas nas juntas ou de cola.

O grande conhecimento da estrutura e apreço por mestres como Mies van der Rohe e Frei Otto contribuiu para o desenvolvimento e concepção de seus edifícios. Sua arquitetura é direta e honesta. No entanto, nunca é comum, e cada novo projeto tem uma novidade especial que o caracteriza. A simplicidade elegante e aparente naturalidade de suas obras são o resultado de anos de prática e amor pela construção. Acima de tudo, o respeito pelas pessoas que habitam seus edifícios, sejam vítimas de catástrofes naturais ou clientes privados ou públicos, é sempre revelado através de sua abordagem reflexiva, planos funcionais, materiais adequados cuidadosamente selecionados, e a riqueza de espaços que cria.

Shigeru Ban é um arquiteto cujo trabalho incansável exala otimismo. Onde outros podem ver desafios insuperáveis, Ban vê um convite à ação. Onde outros podem tomar um caminho seguro, ele vê a oportunidade de inovar. Além disso, ele é um professor comprometido que não é apenas um modelo para a geração mais jovem, mas também uma fonte de inspiração.

Por todas estas razões, Shigeru Ban é o laureado com o Prêmio Pritzker de Arquitetura 2014.

 

 

 

 

3.  Após vencer a competição para o Pompidou em Metz, Ban instalou um escritório do tamanho de uma barraca – feito de tubos de papel, naturalmente – no topo do Pompidou em Paris, para que pudesse supervisionar todos os detalhes do seu projeto. Como ele brincou em sua Ted Talk: “Aluguel de graça por seis anos!”

 

 

4.  Ele trabalhou no escritório de Arata Isozaki, em Tóquio, de 1982 a 1983.

5.  Seu pai era um empresário da Toyota; sua mãe uma estilista de haute couture.

6.  Quando era criança, Ban queria ser carpinteiro.

7.  Quando Ban estudou na Cooper Union de 1980 a 1982, esteve em excelente companhia. Seus colegas de classe eram seu atual sócio no escritório de Nova Iorque, Dean Maltz, e outros notáveis arquitetos como Nanako Umemoto (Reiser + Umemoto) e Laurie Hawkinson (Smith-Miller + Hawkinson Architects). Seus professores foram Ricardo Scofidio, Tod Williams, Diana Agrest, Bernard Tschumi, Peter Eisenman e John Hejduk, entre outros.

8.  O abrigo para refugiados “faça você mesmo” de Ban se provou uma resposta muito popular e efetiva para habitação de baixo custo em caso de desastres naturais; já foi usado no Japão, Vietnã, Turquia, China, Haiti, Ruanda e outros países ao redor do mundo.

 

 

9.  Em 2007 Ban concluiu sua atual casa, situada no distrito Hangei Forest, em Tóquio, sem derrubar uma única árvore.

 

 

10.  Ban, um ávido jogador de rugby em sua juventude, inicialmente planejava entrar na Waseda University para jogar e estudar arquitetura simultaneamente, entretanto, eventualmente escolheu focar na arquitetura e entrar na Tokyo University of the Arts.

11.  Ban foi inspirado a entrar na Cooper Union quando estava na Universidade de Tóquio, ao ler um artigo sobre John Hejduk, o “arquiteto de papel” e então deão da Escola de Arquitetura da Cooper Union em Nova Iorque.

12.  Para construir o Pavilhão Japonês para a Expo 2000 inteiramente com materiais recicláveis, Ban substituiu as juntas mecânicas por fitas de tecido (que permitiam a construção e desmontagem manual). Após a Expo, a estrutura foi inteiramente reciclada.

 

 

13.  Ban é conhecido pelo emprego de materiais pouco usuais em suas obras, estes a seguir são alguns dos que já utilizou: tubos de papelão, papel, containers de navios, materiais de embalagens, telas metálicas, tecido, plástico, acrílico, bambu laminado, madeira (sem conectores de metal), fibras de carbono, cortinas e compostos de fibra de papel e plástico reciclado.

14.  Desde que venceu a competição para o Pompidou em Metz e estabeleceu seu escritório em Paris, Ban passa uma semana em Tóquio outra na França.

15.  Ban já colaborou com Kenya Hara, diretor de arte da companhia Muji, não apenas uma, mas duas vezes. A primeira vez foi em 2012, quando Ban participou do Arquitetura para Cães ao projetar uma estrutura de tubos de papelão; e novamente em 2013, quando projetou uma nova Casa Furniture para a House Vision, uma exposição de três semanas em Tóquio que focava no futuro da habitação em Tóquio.

 

 

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