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Que Olimpíadas, hein!

O consórcio Solace, que reúne OAS, Carioca Engenharia, Odebrecht e Rex, parou as obras de construção de 1.330 apartamentos espalhados por sete prédios no Porto Maravilha.

O projeto previa que, durante os Jogos, o lugar fosse alugado à prefeitura para instalar a Vila de Mídia e Vila dos Árbitros. Depois, os apartamentos seriam vendidos, de preferência, para servidores municipais, com financiamento da Caixa.

Mas…

Com a decisão de Eduardo Paes de levar a Vila de Mídia e a Vila dos Árbitros para a Zona Oeste, o consórcio construtor deu uma pausa para avaliar o projeto. Afinal, já não há pressa para entregá-las. A retomada pode ocorrer no fim do ano.

Varandas na berlinda

Cada um por si. Fachada de um prédio na Rua General Glicério, em Laranjeiras: a falta de critério faz com que cada morador decida como vai fechar sua varanda, fazendo com que o projeto arquitetônico do edifício seja prejudicado Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo

Celia Costa, Fernanda Pontes e Ruben Berta

Depois de quase dez anos de tramitação, a Câmara dos Vereadores aprovou anteontem um polêmico projeto de lei que permite o fechamento de varandas, através da instalação de um sistema retrátil de vidros. Caberá agora ao prefeito Eduardo Paes — que sempre mostrou ser contrário à permissão — sancionar ou não o texto. O projeto aprovado exclui apenas os bairros da Zona Sul do benefício, o que, segundo o vereador Carlo Caiado (DEM), idealizador da iniciativa, atendeu a um pedido de presidentes de associações de moradores da região.

A aprovação foi um dos raros momentos no passado recente da Câmara em que um projeto com impacto relevante para a cidade, elaborado por um vereador da minoria de oposição, conseguiu ser bem-sucedido no plenário. Caiado usou a estratégia de colocar outros 20 vereadores como coautores, o que, na prática, pode trazer efeitos positivos para as bases eleitorais de cada um deles nos bairros. Até o líder do governo, Luiz Guaraná (PMDB), acabou assinando o texto. Ele conseguiu a inclusão de uma emenda que estabelece o pagamento de até R$ 300 por metro quadrado, para que o proprietário faça a regularização do fechamento. Caberá à prefeitura, se o texto for sancionado, fixar o valor específico para cada bairro.

Paes ainda não sabe se vai sancionar projeto

O prefeito Eduardo Paes disse que ainda não viu o projeto e, por isso, não decidiu se vai sancioná-lo.

— A proposta ia ser aprovada de qualquer jeito. O que fizemos foi incluir um mecanismo prevendo a cobrança pela regularização. Seria uma injustiça não cobrar, porque anteriormente houve uma lei de mais-valia que cobrou uma taxa para quem desejava se regularizar — disse o vereador Guaraná, lembrando o decreto publicado em 2009, quando vários proprietários de imóveis da Zona Sul regularizaram o fechamento de suas varandas, através da mais-valia.

O projeto das varandas foi o primeiro que Carlo Caiado apresentou, quando chegou à Casa em seu primeiro mandato, em 2005. Ex-subprefeito da Barra e administrador regional do Recreio durante a gestão de Cesar Maia, o vereador disse que elaborou a proposta por causa dos constantes pedidos de moradores da região, sua maior base eleitoral, que alegavam problemas principalmente com chuva, ventos e sol forte, além de segurança.

A psicóloga Silvia Cohen há um ano providenciou o fechamento de sua varanda no Jardim Oceânico, na Barra.

— Eu moro no primeiro andar, e o vidro reduziu muito o barulho da rua. Também tenho netos e transformei uma parte da varanda num cantinho para os brinquedos das crianças. Foi uma forma de evitar as grades e as telas protetoras — diz ela.

O empresário Sidney Brunstein, que mora numa cobertura na Barra, se diz favorável ao fechamento das varandas, desde que seja feito com critério:

— Sou totalmente a favor, porque aumenta a sala e se aproveita melhor o ar-condicionado, mas não pode cada um fazer do seu jeito. É preciso haver um padrão estabelecido pelo prédio.

Falta de padronização nas fachadas

A falta de padrão no fechamento de varandas pode ser vista em vários endereços da Zona Sul, onde a medida continua sendo proibida. Na Rua General Glicério, em Laranjeiras, o edifício 440 tem os mais diversos estilos de vidros nas janelas, com esquadrias pretas, brancas e metálicas. A dona de casa Maria Fernanda Vilela conta que todos os apartamentos do prédio onde mora há 30 anos fecharam suas varandas:

— Eu nem sabia que não podia. Se pago mais por isso no IPTU, também não tenho conhecimento. Só sei que a varanda sem janelas acumula muita poeira e poluição dos ônibus. Quando venta, junta folha, e fica tudo sujo.

A parte do projeto que causou mais discussões desde a sua apresentação foi a questão da mais-valia. Conforme decreto municipal de 2009, o fechamento das varandas implica o aumento da área edificável e, como consequência, o acréscimo na base de cálculo do IPTU, uma das principais fontes de arrecadação do município. O projeto aprovado determina que o fechamento da varanda não poderá resultar em aumento real da área da unidade residencial. Não será admitida a incorporação da varanda, total ou parcialmente, aos compartimentos internos, sob pena de multa.

O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), Pedro da Luz Moreira, disse que não considera o fechamento das varandas algo grave do ponto de vista urbanístico, desde que existam parâmetros. O arquiteto, no entanto, alerta que é preciso que as varandas preservem as características de serem um ponto de vista para o morador e também de ventilação. A padronização das fachadas também é outro ponto que deve ser levado em consideração.

— A varanda não pode ser fechada e se tornar parte do apartamento — disse Pedro da Luz.

*Colaborou Luiz Ernesto Magalhães

Aprovado novo projeto de remenbramento e loteamento em Jacarépaguá

APROVADO NOVO PROJETO DE REMEMBRAMENTO E LOTEAMENTO EM JACAREPAGUÁ: Tendo em vista a desapropriação amigável de áreas em Jacarepaguá para utilização de empreendimentos habitacionais, a Prefeitura do Rio publicou decreto através do qual é aprovado o Projeto de Remembramento e Loteamento -PAA 12.440 / PAL 48.428 – das áreas com 300,72 m² e 89.177,56 m², inscritas sob a matrícula 84.688; e as áreas com 1.021,90 m² e 1.151,95 m²,inscritas sob a matrícula 149.072, a primeira com frente para a Avenida Canal da Antárctica (N.R.) e as demais com frente para a Avenida Canal do Anil (N.R.).Conheça o Decreto nº 38.727/2014.

Decreto nº. 38727 de 23 de maio de 2014

Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro – 26/05/2014

Aprova o PAA 12.440 / PAL 48.428 para remembramento e loteamento de áreas municipais na XVIª Região Administrativa (Jacarepaguá) e dá outras providências.

O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições legais, tendo em vista o que consta dos Processos Administrativos nº02/000.556/2014, e

CONSIDERANDO as ações da política habitacional do município;

CONSIDERANDO o Decreto n.º 31.901, de 11 de fevereiro de 2010, e consequente a desapropriação amigável levada a termo;

 

DECRETA:

Art. 1º Ficam desafetadas, passando a bem de uso dominical, as áreas com 1.021,90 m² e 1.151,95 m² – partes da área inscrita sob a matrícula nº 149.072 do 9º Ofício de Registro de Imóveis.

Art. 2º Ficam desafetadas, passando a bem de uso comum do povo, as áreas com 29,13 m² e 30,40 m² – partes da área inscrita sob a matrícula nº 84.688 (AV‑32) do 9º Ofício de Registro de Imóveis.

Art. 3º Fica aprovado o Projeto de Remembramento e Loteamento – PAA 12.440 / PAL 48.428 – das áreas com 300,72 m² e 89.177,56 m², inscritas sob a matrícula 84.688; e as áreas com 1.021,90 m² e 1.151,95 m², inscritas sob a matrícula 149.072, a primeira com frente para a Avenida Canal da Antarctica (N.R.) e as demais com frente para a Avenida Canal do Anil (N.R.).

Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2014; 450º ano da fundação da Cidade.

EDUARDO PAES

Hannes Winkler: ‘O brasileiro detesta planejar’

Hannes Winkler, consultor de logística: ‘O brasileiro detesta planejar’ – Leo Martins / Agência O Globo

Especialista alemão foi destaque do Megacities que, esta semana, encerrou no Rio o ano da Alemanha no Brasil abordando grandes eventos esportivos

‘Sou engenheiro com doutorado em Logística e, há oito anos, vivo em Niterói, onde ainda espero o metrô chegar… Tenho 40 anos, sou casado com uma brasileira e pai de dois filhos nascidos no Brasil. Em julho volto para a Alemanha com minha família para dar aulas em Stuttgart. Já estou com muitas saudades’.

Conte algo que não sei.

A logística nasceu na arte da guerra, para fornecer armas e comidas às tropas. É uma disciplina muito antiga, que vem do tempo das pirâmides, os romanos etc. Sem logística eles não iam conseguir.

Como planejar um grande evento de forma sustentável?

A boa logística é sempre sustentável porque tenta evitar desperdício.

Mas, com a pressa, o meio ambiente fica de lado.

As empresas, em geral, só olham para os lucros. Economizam energia e água para não terem gastos. É raro abraçarem a sustentabilidade só pelo “bem’’. Se o segmento de moda consegue mais clientes sendo sustentável, aí vale. É o governo que tem de mudar as regras. Na Alemanha, se sua casa gasta muita energia você paga multa. Muita gente põe aquecimento solar e ganha incentivo. Num país que tem muito menos sol que o Brasil! Regras têm que ter consequências para quem não as cumpre.

Quais são os desafios de megaeventos como a Copa?

Dos equipamentos de mídia, milhares de toneladas de vários países, aos uniformes tudo tem que estar na hora certa, no lugar certo, funcionando. A Puma mandou erradas as camisas de Camarões e Chile. Os chilenos estão furiosos. Da logística boa ninguém sabe, mas quando algo dá errado… A Alemanha vai ficar num hotel construído só para ela. Mas é perto de Porto Seguro e a equipe vai ter que pegar uma balsa. Tomara que funcione.

Qual a sua avaliação da logística para a Copa no Brasil?

Estava na Alemanha em 2006. O desafio do Brasil é muito maior. Lá as distâncias são pequenas e já havia metrô, estádios, trens. Aqui há um acúmulo de atrasos, mas isso também aconteceu na África do Sul. Acho que tudo vai correr bem. Mas logística não é só o tempo, mas também qualidade e custos. Aqui os custos explodiram, e isso é mais preocupante do que os atrasos.

Como aferir qualidade?

A qualidade a gente vai ver ao longo dos próximos anos, se os estádios vão precisar de reformas logo, o que vai ficar dos BRTs… Mas, para não parecer o alemão que fala mal do Brasil, na Alemanha também estamos sofrendo com o aeroporto de Berlim, do qual não temos orgulho. Estou aqui há oito anos e vi muita coisa positiva.

Por favor, diga o quê.

Estão fazendo, finalmente, um metrô para a Barra. Ainda estou esperando um metrô para Niterói (risos). Ao mesmo tempo, não sei se vai melhorar tanto porque a cidade está crescendo muito. Esses investimentos são mais para manter como está, para não piorar. Mas haverá algum legado. Se a área do Porto do Rio chegar perto de Porto Madero, de Buenos Aires, e do bairro do porto de Barcelona será maravilhoso. Sou otimista.

Compare o ensino de logística daqui com o alemão.

Dou aula de sistemas produtivos no mestrado em engenharia industrial da PUC-Rio. Aqui só há especialização, mas não uma graduação, como na Alemanha. Seria bom para o Brasil ter mais educação na área. Para entender que logística é muito mais do que transporte. O alemão gosta muito de planejar, mas não é tão bom em improvisar. Já o brasileiro detesta planejar, mas é muito bom em improvisar. Talvez um possa aprender com o outro.

Terreno onde ficava igreja na Lagoa terá prédio residencial

Construtora arrematou imóvel de 506m² por R$ 23,6 milhões

Selma Schmidt

O galpão de fachada multicolorida e marquise azul, no número 2.345 da Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, vai abaixo. No lugar, será construído um edifício residencial de alto padrão. Com 506 metros quadrados, o terreno — uma raridade na Zona Sul — é patrimônio do governo do estado e estava ocupado pela Igreja de Nova Vida da Lagoa desde 1986. Mas foi vendido à construtora Sig, como informou a coluna Gente Boa, do GLOBO. A concorrência pública ocorreu no dia 19 passado, e a Sig arrematou o imóvel por R$ 23,6 milhões.

O despejo aconteceu em 19 de fevereiro. Agora, a página do templo no Facebook informa a transferência temporária das reuniões para o Clube Carioca, na Rua Jardim Botânico. O espaço, alugado, no entanto, é muito pequeno, segundo o pastor Flávio Marinho:

— Estamos funcionando no hall de entrada do clube, ao lado da piscina e da quadra de esportes, até conseguirmos um outro local para nossa igreja. Realizamos cultos aos domingos e às quartas-feiras, mas tivemos que desmobilizar o atendimento às crianças do Vidigal, que tinham aulas de cidadania. O número de fiéis nos cultos também caiu, de cerca de 250 para 150.

Gabarito de até oito andares

A Nova Vida se instalou no endereço nobre da orla da Lagoa — entre as ruas General Garzon e Saturnino de Brito — quando comprou, em 1986, as benfeitorias feitas por um clube que funcionava no lugar. Em 1991, o então governador Anthony Garotinho formalizou a cessão de uso do imóvel, gratuita, para a Nova Vida.

— Fomos informados em outubro do ano passado e tivemos que sair em fevereiro último — relembra o pastor.

A construtora diz que ainda está elaborando o projeto para o terreno, que terá que ser licenciado pela Secretaria municipal de Urbanismo. Segundo o órgão, o gabarito desse trecho da Borges de Medeiros é de até 24 metros (oito andares), para prédios afastados das divisas. Para edifícios colados nos vizinhos, a altura máxima é de 12 metros (quatro andares).

Conforme estabelecido no edital da concorrência da Secretaria da Casa Civil do estado, a Sig depositou R$ 1,750 milhão, a título de caução. O valor restante deverá ser pago no ato da assinatura da escritura de compra e venda do imóvel, até 30 dias após a realização da licitação.

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