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4º Encontro com a Sociedade do CAU/RJ: primeiro dia de evento discute papel da política urbana na superação da crise brasileira

Abertura do encontro acontece dia 03/11, no auditório da Universidade Santa Úrsula

O 4º Encontro com a Sociedade, promovido pelo CAU/RJ, começa, dia 3 de novembro, com uma discussão muito atual: a superação da crise brasileira. Mais do que aspectos financeiros, estarão em debate os problemas das grandes cidades. Com o tema “As grandes aglomerações e o papel da política urbana na superação da crise brasileira”, o evento vai ser realizado no auditório da Universidade Santa Úrsula, na Rua Farani 42, em Botafogo, das 18h às 21h.

Entre os participantes da mesa estão o sociólogo e professor titular do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ Carlos Bernardo Vainer e a Presidente da Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro (FAM-Rio) e professora livre docente de Direito Administrativo da UERJ, Sônia Rabello de Castro. Participam também deste dia representantes da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (Abea) e Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (Fenea).

“As grandes cidades brasileiras estão hoje paralisadas pelos problemas de mobilidade urbana, criminalidade e violência, sufocadas por problemas ambientais, carentes de saneamento e com a convivência humana submetida a espaços públicos precários”, afirma o Conselheiro Leonardo Mesentier, Coordenador da Comissão de Ensino e Formação do CAU/RJ (CEF), que organiza o primeiro dia do Encontro. Para ele, por essa perspectiva, a solução da crise passa pela contribuição de formulações, planos e projetos de arquitetura e urbanismo.

Em 18 de novembro, o tema será o “Plano de Desenvolvimento Urbano Metropolitano”, no IAB-RJ, Rua do Pinheiro 10, Flamengo, das 18h às 21h. O terceiro dia será realizado em 24 de novembro, na Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói, na Rua General Andrade Neves 31, Centro. Haverá duas mesas: “Assistência Técnica em Arquitetura e Urbanismo – Minha Casa Minha Vida – Entidades”e “Boas práticas em Assistência Técnica em Arquitetura e Urbanismo”. O último, com o tema “Ética, sociedade e atuação profissional”, será em 1º de dezembro, Seaerj, na Rua do Russel 1, Glória, das 18h às 21h.

Promovido anualmente pelo CAU/RJ, os Encontros com a Sociedade discutem o papel social da Arquitetura e do Urbanismo, além de aproximar os profissionais das demandas da sociedade e debater como aprimorar a atuação do Conselho no Estado.

Confira a programação completa em: http://www.caurj.gov.br/?p=17488

Inscrições pelo e-mail: inscricao@caurj.gov.br (informar datas que deseja participar)

Serviço:

4º Encontro com a Sociedade CAU/RJ

Data: 3, 18 e 24/11 e 1/12

Horários: das 18h às 21h (exceto dia 24: das 16h às 18h e das 18h30 às 21h)

Endereços:

3/11 – Auditório da Universidade Santa Úrsula, na Rua Farani 42, em Botafogo.

18/11 – IAB-RJ, na Rua do Pinheiro 10, Flamengo

24/11 – Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói, na Rua General Andrade Neves, 31, Centro – Niterói.

1/12 – Seaerj, na Rua do Russel 1, Glória. 

 

Chácara do Céu vai ganhar um edifício anexo e um bondinho para acesso

Descoberta. Ernani Freire no portão antigo da Rua Dias de Barros, que dará acesso ao futuro plano inclinado – Custódio Coimbra / Agência O Globo

O local vai abrigar escritórios, biblioteca, auditório com cem lugares, laboratórios e salas para guarda do acervo do museu

por Rodrigo Bertolucci / Simone Candida / Ludmilla de Lima

RIO — Para Ernani Freire, a boa arquitetura é a que estabelece conexões. Foi assim na década de 1990, quando ele encarou a missão de restaurar e revitalizar a antiga casa de Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa, e idealizou um projeto que, ao mesmo tempo, tirou proveito do aspecto abandonado da residência e integrou o prédio ao terreno do edifício vizinho, o Museu da Chácara do Céu. Surgia assim o Parque das Ruínas, com a bela ponte entre os dois centros culturais e o mirante que conecta cariocas e turistas a uma das mais deslumbrantes vistas do Rio.

Quando, anos depois, foi convidado a criar um edifício anexo para o Museu da Chácara do Céu — instalado na residência em estilo modernista do colecionador e industrial Raymundo Ottoni de Castro Maya —, Ernani avistou uma outra chance de usar a arquitetura como instrumento de integração. Dessa vez, incluiu no projeto um detalhe que promete democratizar o acesso à instituição. O anexo prevê a criação de uma nova entrada por um portão na Rua Dias de Barros. Como o terreno é irregular, o público chegará por um singelo bondinho.

— Descobrimos uma entrada de serviço, um pequeno portão na Dias de Barros, a rua mais larga e plana de Santa Teresa. Abriremos no alinhamento da rua um hall de acolhimento, com um plano inclinado, engenho típico de Santa Teresa. O visitante passará pelo anexo e chegará ao nível do museu. A ideia é democratizar o acesso à Chácara do Céu, que hoje, por ficar num lugar mais alto, é mais procurado por quem usa carro — explica o arquiteto.

Orçado em cerca de R$ 17 milhões, o anexo terá dois mil metros quadrados. O local vai abrigar escritórios, biblioteca, auditório com cem lugares, laboratórios de restauração de obras de arte e salas para guarda e conservação do acervo do museu. O terreno também ganhará um novo paisagismo. Um caminho de pedra pé de moleque, que havia sido cimentado, será restaurado. A construção contará com dois andares e, no topo, haverá um terraço.

— Ali teremos o jardim das esculturas, com exposições de obras do acervo, e uma cafeteria. O público poderá passear entre as peças e usufruir de uma vista incrível da Baía de Guanabara. Teremos também uma passarela, com cobertura de vidro, ligando o anexo aos pilotis do museu — adianta o arquiteto, esclarecendo que o anexo ficará numa área mais baixa do terreno, com impacto ambiental menor e sem comprometimento da vista que hoje se tem do pátio do museu.

Vera de Alencar, diretora dos museus, diz que o bondinho será instalado com uma verba de R$ 1,2 milhão do Instituto Brasileiro de Museu (Ibram):

— Com esse dinheiro, vamos construir o plano inclinado e o novo acesso para que cariocas e turistas já possam usá-los durante as Olimpíadas.

Já a obra do anexo, iniciada em 2012, sofre com a crise que vem levando o governo a restringir a liberação de recursos. As fundações e estruturas já estão prontas, mas faltam todos os acabamentos. Até agora, a construção consumiu cerca de R$ 7 milhões, recursos da Petrobras, do BNDES e obtidos via Lei Rouanet. Ainda não há data para a inauguração do prédio.

CASA SERÁ EXCLUSIVA PARA EXPOSIÇÕES

Quando for aberto, o anexo servirá para desentulhar o prédio principal do museu, que foi feito para abrigar uma residência e, por isso, teve que ser adaptado para receber o acervo.

— A ideia é retirar da casa toda a parte técnica do museu, liberando a residência para que funcione só como um pavilhão de exposições — explica Ernani.

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A casa conhecida desde 1876 em Santa Teresa como Chácara do Céu foi herdada por Castro Maya em 1936. Em 1954, o prédio que ali existia foi demolido e deu lugar à residência de 1,5 mil metros quadrados, projetada por Wladimir Alves de Souza.

— Lúcio Costa foi chamado para implantar a casa no terreno, e o Roberto Burle Marx fez parte do jardim — acrescenta o arquiteto.

O imóvel virou museu após a morte de Castro Maya. O acervo reúne cerâmicas, pinturas, esculturas, móveis e livros. Há obras de artistas como Di Cavalcanti, Matisse, Picasso, Miró e Portinari. Uma das preciosidades é a coleção de 490 aquarelas e 61 desenhos de Debret. O local, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ainda mantém dois cômodos originalmente mobiliados e ambientados, que mostram como era a vida da sociedade carioca nos anos 1950.

 

Os projetos (reais ou imaginários) para o Rio do arquiteto Indio da Costa

Apaixonado pela cidade, ele faz 50 anos de carreira

Por Josy Fischberg

O arquiteto Indio da Costa em seu escritório, no Humaitá – Ana Branco / Agência O Globo

 

RIO – A fachada da casa na Rua Pinheiro Guimarães, entre Botafogo e Humaitá, é bastante discreta. Apenas o logotipo no alto da construção, desenhado a partir de uma combinação das letras “i” e “c”, de Indio da Costa, sugere vagamente o que funciona ali dentro. Poucos cariocas imaginam, mas daquele escritório de arquitetura já saíram ideias que efetivamente transformaram — ou ainda estão transformando — certas áreas do Rio de Janeiro. Muitas outras não chegaram a se concretizar, mas dão a dimensão de como o responsável por elas é um sujeito apaixonado pela cidade. O arquiteto Luiz Eduardo Indio da Costa já sonhou até em ver os morros da Zona Sul interligados a partir de bondinhos, tendo como ponto de partida o Pão de Açúcar.

Hoje, aos 77 anos de idade e 50 de carreira, é ele o responsável pela integração do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) às ruas do Centro, por duas grandes estações do BRT, além da parceria com um escritório internacional no Museu da Imagem e do Som (MIS), citando apenas alguns dos projetos que estão em andamento.

— Quando resolvi fazer arquitetura, nos anos 1950, era uma profissão marginal. É claro que havia Oscar Niemeyer já como expoente, mas ele era praticamente o único — explica o arquiteto. — Eu, que vinha de uma família de advogados, devo ter chocado as pessoas em volta com a minha decisão. Gostava de cinema, música, pintura, achei que era lógico não seguir uma carreira de terno e gravata.

A confirmação de que aquele era realmente o caminho certo veio dentro da Catedral de Notre-Dame, em Paris:

— Existe uma alquimia na arquitetura. Numa catedral gótica, isso fica ainda mais evidente. Quando você “desmonta” aquele cenário, percebe que ele é, na verdade, um monte de areia, pedra, vidros… É fantástico que a partir disso erga-se uma construção grandiosa.

Indio da Costa costuma dizer, em tom de brincadeira, que desde então vem tentando fazer a sua própria catedral, mas que ainda não conseguiu. De todo modo, ele já deixou sua marca no Rio com projetos como o Rio Cidade Leblon. Inaugurada em 1996, a obra modificou uma área de cem mil metros quadrados no bairro, priorizando a iluminação para pedestres com postes baixos, modificando paisagem e mobiliário urbano.

— Foi um trabalho feito com a comunidade. Eu tinha um arquiteto de plantão que atendia todos os moradores. E foi o primeiro projeto que fiz em parceria com o Guto, meu filho — explica.

O arquiteto se refere ao designer Luis Augusto Indio da Costa, que, após ter concluído os estudos fora do Brasil, voltou para trabalhar com o pai no escritório. Quase 20 anos depois do Rio Cidade, os dois novamente assinam um outro projeto tão importante quanto ele.

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— O Guto está fazendo as paradas do VLT, e eu faço a inserção urbanística dessas paradas no Centro. Precisa compatibilizar calçadas, postes, meio-fio…

 

Projeto da Marina da Glória, que foi interrompido – Divulgação

 

Para o arquiteto e urbanista Luiz Fernando Janot, Indio da Costa sempre busca incorporar inovações tecnológicas aos seus projetos. O Rio Cidade Leblon, ele aponta, é dos poucos que conseguem manter suas características originais:

— Foram usados materiais de altíssima qualidade, que estão lá até hoje. O Rio Cidade Leblon é uma das grandes obras do Indio da Costa e da cidade.

Para cada projeto executado, Indio da Costa explica que há muitos que não saem do papel. Um deles, por exemplo, previa que os bondinhos do Pão de Açúcar passassem por dentro da própria pedra.

— Fomos contratados pela Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, ainda nos anos 1990, para fazer este projeto e pensamos em substituir as estações de acesso por reentrâncias na rocha — conta.

A partir do mesmo Pão de Açúcar, surgiu outro grande desejo, chamado Rio Panorâmico, desenvolvido para a mostra “Penso cidade”, que reuniu projetos, ideias e estudos polêmicos sobre o planejamento urbano carioca. A proposta era criar dois circuitos independentes de teleféricos: um na Zona Sul, partindo da Praia Vermelha; e outro que percorreria a Zona Norte, a partir do Itanhangá.

— Ao contrário do que muita gente pensa, não seria um projeto complexo. Imagine que no início do século XX os bondinhos do Pão de Açúcar foram instalados. Estamos em 2015, não há nenhum desafio tecnológico especial — analisa.

Outros dois projetos mais recentes que poderiam mudar radicalmente paisagens importantes da cidade ainda são lembrados pelo arquiteto. O primeiro é o da Marina da Glória, com paisagismo de Haru Ono. O outro é a highline na Avenida Presidente Vargas.

— A highline ainda pode sair do papel. Quando fui convidado para fazer duas estações do BRT, na Francisco Bicalho e na Presidente Vargas, imaginamos uma elevação da cobertura deste segundo local, para fazer uma grande praça linear. As pessoas subiriam até essa praça e dali desceriam para a estação. Não começamos porque havia a preocupação de que o projeto todo não ficasse pronto até as Olimpíadas. Mas, depois, ele ainda poderá ser retomado.

 

A partir do alto, highline na Avenida Presidente Vargas, que seria feita em cima da estação do BRT – Divulgação

 

Com tantos projetos, o dia a dia de Indio da Costa é intenso. Chega ao escritório todos os dias às 9h, vai embora às 19h. Duas a três vezes por semana, passa pelas obras. Se ele tira férias?

— Eu me sinto eternamente de férias — diz, rindo. — Trabalho em algo de que gosto tanto que nem parece trabalho.

 

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