Notícias

Rio-2016: lançados editais para erguer o Complexo de Deodoro

Segundo a prefeitura, obras para construção e reforma das instalações estão previstas para começar no segundo semestre

A prefeitura lançou, nesta quinta-feira, os dois editais de licitação para a construção e a reforma das instalações do Complexo Esportivo de Deodoro, que receberá 11 modalidades olímpicas e quatro paralímpicas durante os Jogos de 2016. Há uma semana — após o Comitê Olímpico Internacional anunciar que acompanhará de perto os preparativos para o evento —, o próprio prefeito Eduardo Paes admitiu que o atraso nas obras do complexo é uma das principais preocupações da cidade no que diz respeito às instalações necessárias para os Jogos.

Segundo a prefeitura, a construção e a reforma do complexo ficarão divididas em duas grandes áreas delimitadas pela linha férrea. Uma delas, na parte norte do terreno, contará com investimento de R$ 647 milhões. No local ficarão o estádio de canoagem slalom, a pista de mountain bike, a pista de BMX, o Centro Nacional de Tiro Esportivo, a arena de rúgbi e combinado do pentatlo moderno, a arena Deodoro (onde acontecem as competições de esgrima do pentatlo e as preliminares do basquete feminino), o centro de hóquei sobre grama e a piscina do pentatlo moderno.

Já a área ao sul terá investimento de R$ 157 milhões. No terreno serão construídos o Centro Nacional de Hipismo, onde acontecerão as competições equestres de cross country, saltos e adestramento. Lá ainda serão construídas a clínica veterinária e a vila dos tratadores.

A construção das instalações está programada para começar no segundo semestre deste ano, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2016. Os contratos preveem dez meses para operação e seis meses, após os Jogos, para desmontagem das estruturas temporárias e adequações das instalações existentes. As duas licitações foram feitas pela Secretaria municipal de Obras, por meio da RioUrbe, em parceria com a Empresa Olímpica Municipal.

Com a publicação dois editais, o processo licitatório do Complexo está finalizado. Em março, a prefeitura já havia concluído a licitação para intervenções viárias no interior e no entorno do complexo. Os recursos para a realização dos projetos compreendidos pelas três licitações serão aportados pelo Ministério do Esporte.

Mais um PAC

Editorial

 

A presidente Dilma Rousseff anunciou o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) número 3. Os dois anteriores, como se sabe, ainda estão inconclusos, apesar dos vultosos investimentos e das promessas de Dilma e de seu antecessor, Lula, feitas desde 2007, de que eles seriam vigorosas molas do salto econômico brasileiro.

O anúncio da presidente foi feito a seu estilo: de supetão. Durante mais uma de suas entrevistas chapa-branca a rádios regionais, desta vez em São José do Rio Preto (SP), Dilma comentava sobre uma obra ferroviária na cidade e então disse que o projeto seria incluído no PAC 3. Ao ser questionada sobre a data de lançamento do programa, respondeu: “Lá por agosto, eu acredito”.

O ar de improviso é irrelevante. Para os propósitos da máquina marqueteira que sustenta o governo Dilma, o que importa é dar a impressão de movimento, de ação, como se a presidente estivesse trabalhando muito para fazer o País deslanchar. O problema dessa versão edulcorada dos fatos é a realidade que insiste em desmenti-la.

O site Contas Abertas, especializado em finanças públicas, informou que apenas 30% das obras em rodovias previstas no PAC 2 foram concluídas. O cronograma atrasou, diz o governo, porque há demora na concessão de licenças ambientais e pedidos de esclarecimentos por parte dos tribunais de contas. Ou seja: a responsabilidade é sempre dos outros.

A mesma lentidão se verifica em relação aos aeroportos, considerados prioritários em ano de Copa do Mundo. Das 106 obras aeroviárias que constavam do PAC 2, 32% ainda estão em estágios primários – várias nem sequer passaram por licitação, diz o Contas Abertas.

Há casos de aeroportos em cidades que terão jogos do Mundial, como Manaus e Belo Horizonte, cujas obras só serão concluídas, se Deus quiser, em setembro – isto é, depois do campeonato, quando todos os turistas já tiverem voltado para casa. Esse quadro é ainda mais grave quando se considera que os aeroportos das cidades-sede da Copa foram priorizados – os aeroportos regionais, prometidos pelo governo para melhorar o transporte aéreo no interior, ficaram para depois.

Ainda no PAC 2, havia a previsão de construção de 5.257 creches e pré-escolas, que Dilma prometera na campanha eleitoral de 2010. No entanto, apenas 4,2% delas foram concluídas. Do mesmo programa constava a intenção de construir 9.158 quadras esportivas em escolas públicas, mas em três anos menos de 500 foram entregues.

A excruciante lentidão do PAC já é uma tradição. O PAC 1, de 2007, ainda tem obras inacabadas, entre as quais a transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia de Integração Leste-Oeste. No PAC 2, projetos fundamentais, como a Ferrovia Nova Transnordestina, também estão atrasados. A lista das obras que se arrastam inclui a Hidrelétrica de Belo Monte, a Usina Nuclear de Angra 3, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a Refinaria Abreu e Lima.

Tudo isso se dá mesmo com a inclusão do PAC no Regime Diferenciado de Contratações (RDC), que afrouxou as exigências da Lei de Licitações. O RDC havia sido criado para acelerar as obras para a Copa do Mundo e para a Olimpíada de 2016, mas acabou sendo considerado essencial para que o governo conseguisse cumprir os cronogramas do PAC e em outras áreas. Como os números mostram, nada disso funcionou.

O governo sustenta que em dezembro atingiu 82,3% do previsto no PAC 2, mas suas contas, segundo o Ministério do Planejamento, levam em consideração o “critério de valores investidos”, e não uma “metodologia meramente quantitativa”. Por isso, seu balanço não inclui as obras mais significativas que estão em atraso.

Em contrapartida, foram lançados nessa contabilidade os gastos com o programa Minha Casa, Minha Vida, cujas obras – aceleradas em tempos de campanha eleitoral – representam nada menos que 56% do total do balanço apresentado pelo governo. Isso significa que o PAC se tornou um programa imobiliário, de execução relativamente simples e feito sob medida para angariar votos.

Edital de licitação do Complexo de Deodoro sai hoje

Hoje, a prefeitura divulga o edital de licitação para a construção do Complexo de Deodoro, que terá 11 modalidades esportivas. A concorrência pública será feita em dois lotes. O local de competições é uma das principais preocupações do Comitê Olímpico Internacional (COI), apesar de o prefeito Eduardo Paes ter garantido que não há risco de atraso na entrega da estrutura esportiva.

Deodoro será um das regiões beneficiadas com o legado da prefeitura. Isso porque uma das obras que ficará para a cidade é a implantação de sistema de esgotamento sanitário na Zona Oeste, onde fica o bairro. Na primeira fase de execuções, está previsto o saneamento da Bacia do Rio Marangá, que beneficiará 232 mil moradores de diversas localidades da região.

Até agosto de 2016, a maior parte dessa fase estará concluída, o que atenderá às necessidades do complexo de Deodoro para os jogos. Serão realizados serviços de coleta e tratamento de esgoto em uma área de 20 milhões de metros quadrados. Além disso, serão implantados 200 quilômetros de rede coletora de esgoto e construídas uma Estação de Tratamento de Esgoto e sete estações elevatórias.

Linha Cocotá-Praça 15 terá mais quatro barcas

Moradores aprovam proposta de criar linha na Baía de Guanabara ligando o Galeão ao Centro durante a Copa do Mundo. Medida facilitará deslocamento

Porta de entrada de turistas que chegam ao Rio em voos internacionais, a Ilha do Governador sofre com a falta de opções de transporte — para sair ou chegar ao bairro. Por isso, a proposta da Secretaria Estadual de Turismo de ligar o Aeroporto Tom Jobim ao Centro do Rio foi bem recebida pelos moradores do bairro, que enfrentam a superlotação nos ônibus e um sistema de barcas que deixa a desejar.

Nesta quarta-feira, o governador Luiz Fernando Pezão anunciou a compra de quatro barcas para a linha Cocotá-Praça 15, com 500 lugares cada. “Já compramos nove embarcações, somando oito mil lugares nos últimos anos. Iniciaremos a licitação para a compra de quatro novas, somando mais dois mil assentos”.

Sistema de barcas não atende demanda, segundo moradores Foto: Reprodução

 

Como O DIA antecipou, a ideia é implantar o serviço aquaviário (Aeroporto-Praça 15), em fase de testes, durante a Copa do Mundo. Se a iniciativa der certo, o sistema será utilizado nas Olimpíadas de 2016 e ficará como legado para o Rio. A iniciativa do secretário estadual de Turismo Claudio Magnavita prevê o uso de embarcações menores do tipo Hovercraft, que flutuam sobre um colchão de ar, com capacidade para transportar até 500 passageiros, mesmo em águas rasas como a de trechos da Baía de Guanabara.

O projeto faz parte do Plano Diretor de Transporte Urbano da secretaria, que prevê a expansão do transporte de barcas. Segundo a concessionária CCR, cerca de quatro mil passageiros utilizam diariamente as embarcações que saem da Estação Cocotá em direção à Praça 15. Para os usuários do transporte, a melhor alternativa para desafogar o trânsito na região seria criar novos terminais. “Não é aceitável que a Ilha, com tantas praias só tenha um ramal de barcas. Não sei por que a estação Ribeira foi desativada. Desafogaria o fluxo dos ônibus”, propõe a moradora Patrícia Justo.

A Associação de Moradores do Galeão sugeriu a reativação do píer, na Praia do Galeão, desativado desde os anos 20. Para o corretor de imóveis Edson Cardoso uma nova estação aumentaria a oferta do serviço. Ontem, ele perdeu a barca das 9h20 de Cocotá. Atrasado, ele optou pelo ônibus para chegar ao Centro. “É isso. Se acordo na hora, vou em pé na barca. No ônibus, demoro até duas horas”, reclamou. As 14 linhas que circulam pela Ilha transportam por mês 2,1 milhões de passageiros.

Imobilidade carioca

A prefeitura, erroneamente, aposta todas as suas fichas nos BRTs, sistema um pouco melhor do que ônibus convencional

Pesquisa noticiada há pouco pelo GLOBO mostrou algo inimaginável há alguns anos: que o carioca já demora mais tempo que o paulistano no trajeto entre a casa e o trabalho. Aqui, em média, gastamos uma hora e 34 minutos no trânsito, enquanto lá o suplício fica um pouco atrás, em uma hora e 31 minutos. Mas há algumas razões para que tenhamos assumido essa indesejada liderança: enquanto São Paulo, a maior e mais complexa metrópole do país, investiu pesado na expansão da rede de trens e metrô nos últimos anos, o Rio praticamente nada fez na área.

Com décadas de atraso, o governo do estado constrói o que chama de “Linha 4” do metrô, que, na realidade, não passa de um prolongamento da atual Linha 1, que liga a Tijuca a Ipanema. Ou seja, em vez de se criar uma nova rota no sistema, esse “linhão” deverá receber um acréscimo diário superior a 300 mil passageiros, piorando a superlotação hoje observada em muitos horários, mesmo fora do pico.

No dia em que Sérgio Cabral passou o comando do governo para seu então vice, Luiz Fernando Pezão, foi publicada no Diário Oficial a licitação para a verdadeira Linha 4, ligando a Gávea ao Centro, passando por Jardim Botânico, Humaitá e Laranjeiras. Apesar disso, não há sequer previsão para o início da obra. Outra saída proposta para a melhoria na mobilidade dos cidadãos é a transformação dos trens, administrados precariamente pela SuperVia, em metrô de superfície. A medida beneficiaria milhões de passageiros da Região Metropolitana, mas o problema (e a solução) parece fora do interesse imediato das autoridades.

Em outro front, a prefeitura, erroneamente, aposta todas as suas fichas nos BRTs, corredores expressos de ônibus. O sistema é um pouco melhor do que o ônibus convencional, mas não chega perto da capacidade de um transporte de massa como o metrô. Essa aposta é claramente equivocada quando se observa o chamado lote Zero da TransOeste, ligando o terminal Alvorada ao Jardim Oceânico, na Barra. Tal ligação, para assegurar maior eficácia, deveria, necessariamente, ser via metrô.

Seria bom os técnicos da prefeitura olharem o exemplo de Curitiba, onde o BRT foi inventado. Lá, os planejadores da cidade, líderes nesta e em outras soluções inovadoras, viram que o sistema não dá mais conta do recado, e o governo está licitando a primeira linha de metrô, com contribuições da sociedade civil. E note-se que a capital do Paraná é bem menor do que o Rio!

Em 2009, quando Eduardo Paes assumiu a prefeitura, o discurso era de que a cidade seria beneficiada com o alinhamento entre os três níveis de poder, todos integrados para gerar benefícios. Na área do entendimento político, chegamos a andar perto disso, até que as ambições maiores aflorassem e pusessem por terra toda essa benéfica disposição. No que diz respeito à mobilidade urbana, então, os tais benefícios estão ainda muito distantes, sequer na medida do mais baixo nível de exigência dos cidadãos.

Página 28 de 175« Primeira...1020...2627282930...405060...Última »